
Há 34 anos, um ônibus abandonado, estacionado no pátio da República do Pequeno Vendedor, República de Emaús, no bairro da Cremação, em Belém, se transformou em símbolo de esperança, arte e transformação social. A cena foi enxergada com sensibilidade e visão pelo assistente social Osmar Pancera, que viu ali a possibilidade de criar um espaço móvel de intercâmbio cultural para as comunidades do entorno. Nascia assim, em 1991, o que hoje conhecemos como Centro Artístico Cultural Belém Amazônia, carinhosamente chamado de Rádio Margarida.

O nome do projeto foi uma homenagem à mãe de seu fundador, e a missão que brotou dessa escolha carrega até hoje a força das raízes familiares, comunitárias e amazônicas. Desde então, a ONG vem trilhando um caminho de educação popular por meio da arte e da comunicação social, voltado à promoção e defesa dos direitos de crianças e adolescentes nos mais diversos eixos sociais: saúde, meio ambiente, cultura, cidadania, proteção e comunicação.
“Trabalhamos com arte, cultura e educação desenvolvendo um método próprio de educação popular, com o uso de linguagens artísticas e meios de comunicação social, entendendo que esses instrumentos auxiliam na evolução do ser humano, sobretudo no desenvolvimento dos direitos humanos”, destaca Osmar Pancera, que atualmente coordena a elaboração dos projetos da instituição.
A Rádio Margarida nasceu como projeto de extensão da Universidade Federal do Pará (UFPA), e ganhou força ao unir artistas, educadores e comunicadores sociais comprometidos com a transformação do território amazônico. Com apoio de parceiros estratégicos como o Movimento República de Emaús, liderado por Padre Bruno Sechi, e de organismos internacionais como o UNICEF, a ONG se tornou referência nacional em metodologias de arte-educação e comunicação popular.

Um dos marcos mais afetivos da trajetória da ONG aconteceu em 20 de julho de 1991, quando o ônibus Margaridinha fez sua primeira viagem até Mosqueiro, no período do verão paraense. O veículo, colorido, simbólico e afetivo, levou teatro de bonecos, música, personagens do imaginário amazônico e mensagens educativas de forma lúdica e encantadora. Desde então, o ônibus passou a ser símbolo da missão da Rádio Margarida: levar conhecimento com afeto, encantamento e respeito ao povo da Amazônia.

Com mais de três décadas de atuação, a organização desenvolve ações em escolas, comunidades periféricas e rurais, aldeias indígenas, instituições de acolhimento e espaços públicos, promovendo acesso à educação e à cultura por meio de oficinas, espetáculos teatrais, cinema, música e formações pedagógicas.

Projetos como “Energia que Protege”, “Mãe D’Água e sua Trupe na Proteção de Crianças da Amazônia” e campanhas radiofônicas reconhecidas nacionalmente demonstram a potência de uma atuação que respeita a escuta, a consulta popular e o diálogo com o público-alvo.
“Cada projeto parte da escuta das comunidades. Investigamos as realidades, ouvimos os saberes locais e construímos juntos as linguagens que mais fazem sentido. É assim que alcançamos resultados reais e duradouros”, reforça Pancera.
Nestes 34 anos de história viva, a Rádio Margarida segue semeando cidadania com arte, cuidando da infância com respeito e dando voz às narrativas da Amazônia profunda.
Parabéns à Rádio Margarida! Que as próximas décadas continuem florindo pela educação, justiça e esperança por onde a Ong Rádio Margarida passar.